A Caçada

A Velha Carta

Naquela carta tinha alguns números

que estavam meio borrados e um pouco em negrito.

Clara me disse que aquilo poderia ser algum tipo de grito,

um daqueles berros bem medonhos e bem estrondosos.

Helena mostrou-me e disse-me que havia algo a mais atrás.

De facto tinha, uns símbolos ou siglas soltas, sem sentido.

Ficamos alguns minutos desvendando as credenciais.

Para nós, aquilo estava totalmente subentendido.

Estávamos notavelmente confusas com apenas aquilo.

Os números eram “1, 2, 3…”, nesta mesma ordem,

com três pontos no final. Deixando-o mais no sigilo.

Fico me perguntando quantos mistérios eles ainda escondem.

Ficamos naquilo horas e horas, lendo e relendo.

Até que uma hora, já nem sabia mais o que estava lendo.

Fiz uma pequena pausa para tomar um pouco ar,

mas tudo que fazia, memórias antigas começavam a chegar.

Memórias mais ruins do que boas da minha infância ferida.

Que foi deverasmente destroçada por cada momento perdido,

por cada tristeza num pedido, por cada angústia vivida.

São como traumas de criança, jamais serão esquecidos.

Me segurei para não chorar, e voltei a investigar.

E lá estavam Helena e Clara, buscando algo a mais

Clara pediu à Helena, um jornal que estava na estante.

Ela olhou pro lado e puxou uma cadeira no mesmo instante.

Helena já em cima da cadeira, estava para pegar um livro

que estava mais ao fundo da estante, até que escorregou.

Foi um tombo bobo, mas a risada ninguém segurou.

Rimos feito bobas, mas paramos, pois escutamos algo sinistro.

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